Especialistas divergem sobre eficácia de novo medicamento para lúpus


http://www.hub.unb.br/noticias/bancodenoticias/especialistasmedicamentolupus_150411.html

Flávio Castro

Da Assessoria de Comunicação

O lúpus, doença que atinge o sistema imunológico, é tratado desde 1955 com o mesmo medicamento. Agora, surge nos Estados Unidos e na Europa uma nova droga que promete tratamento mais eficiente e com menos efeitos colaterais. No Brasil, especialistas divergem sobre a eficácia do Benlysta.

O chefe do serviço de Reumatologia do HUB, Rodrigo Ayres, considera a descoberta um importante avanço científico porque o medicamento, segundo o especialista, é mais eficiente que os utilizados na atualidade e tem menos efeitos colaterais.

O lúpus é uma doença rara que atinge homens e mulheres entre 20 e 40 anos. As causas são variadas e, no Brasil, 0,5% da população carrega a moléstia. Sua origem pode ser genética ou de outra ordem, como a exposição excessiva ao sol.

No lúpus, o desequilíbrio do sistema imunológica afeta os mecanismos de defesa do organismo contra vírus, bactérias e outros agentes nocivos à saúde. Entre os órgãos que podem ser atingidos estão fígado, coração, pulmão, rins e cérebro, além das articulações.

O Benlysta é o primeiro de um novo tipo de remédio que atua como inibidor específico da proteína Blys. No lúpus, o nível elevado desta substância colabora para a produção de auto-anticorpos que atacam e destroem o tecido saudável do próprio corpo.

Em outros países, o medicamento encontra-se na fase III da pesquisa, etapa voltada para o uso na população após a aprovação das agências de controle de regulação sanitária. Antes de seu lançamento no mercado, a nova droga precisa ser testada em pacientes, no chamado período de teste em grupo, que dura entre seis meses a um ano.

Para Ayres, a importância deste medicamento decorre de seu método de avaliação, que conseguiu comprovar a eficácia para uma doença que apresenta diversas formas de manifestação.

– O remédio alcançou resultado significativo, muito melhor que os tratamentos padrões que os pacientes recebiam, e demonstrou à melhora clínica e uma menor necessidade de uso de corticóides que, de acordo com Ayres, produzem mudanças físicas, como ganho de peso, inchaço das bochechas, afinamento da pele, perda de cabelos, facilidade para ferimentos e desconfortos estomacais como dispepsia ou azia.

– Os corticóides podem ainda causar diabetes, aumentam o risco de infecções ou, quando ministrados por várias vezes, podem causar catarata. Podem ainda atingir os ossos, causando danos nas juntas do quadril, joelhos ou outras articulações, além de osteoporose (afinamento dos ossos) após longos períodos de uso.

Para o reumatologista Gustavo de Paiva Costa, do Hospital de Base de Brasília (HBDF), o medicamento ainda carece de análises sobre seus efeitos colaterais. “Nos estudos que temos até o momento, o que vemos é que os efeitos colaterais não são nem menos nem mais do que os medicamentos que temos hoje no mercado”, afirma.

Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) o medicamento está em “Regime de Exigência”, ou seja, o fabricante ainda não comprovou a eficácia da droga, apesar de esta demonstração já ter sido solicitada. Segundo a ANVISA não há qualquer previsão para liberação do Benlysta no Brasil.

Serviço

O HUB conta com ambulatório para acolhimento de pacientes com diagnóstico de lúpus. O atendimento é realizado no serviço de Reumatologia, no corredor laranja do Ambulatório I. Pela manhã as segundas, quartas e quintas e, pela tarde, as terças e sextas-feiras. O Hospital Universitário recebe 15 pacientes a cada mês com diagnóstico de lúpus ou em tratamento da doença. Mais informações pelo telefone (61) 3448.5423.

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